Os carros elétricos estão conquistando cada vez mais espaço nas ruas brasileiras. Além do apelo ecológico e do desempenho surpreendente, muitos consumidores se perguntam: será que vale a pena financiar um carro elétrico considerando o custo de manutenção reduzido?
Essa é uma dúvida legítima, já que os preços de compra ainda são altos, mas os custos de uso prometem ser bem menores ao longo do tempo.
Neste artigo, vamos analisar os prós e contras do financiamento de carros elétricos, considerando custos, economia, depreciação e manutenção, para você decidir com segurança.
1. O preço de entrada ainda é um desafio
É fato: os carros elétricos ainda têm valores iniciais mais altos do que os modelos a combustão.
Enquanto um hatch popular a gasolina pode custar cerca de R$ 90 mil, o modelo elétrico equivalente começa em torno de R$ 150 mil a R$ 180 mil.
Por esse motivo, o financiamento é a opção mais comum para quem deseja entrar nesse universo.
No entanto, ao assumir um financiamento, é essencial analisar o custo total do veículo ao longo do tempo, não apenas o valor das parcelas.
E é justamente nesse ponto que o carro elétrico começa a se destacar.
2. A manutenção realmente é mais barata
Um dos principais argumentos a favor do financiamento de um carro elétrico é a redução drástica nos custos de manutenção.
Isso ocorre porque o sistema elétrico tem menos peças móveis e dispensa vários itens de desgaste típicos dos carros a combustão, como:
- Troca de óleo e filtros;
- Correias e velas de ignição;
- Escapamento e embreagem;
- Sistema de arrefecimento complexo.
De acordo com estudos de mercado, um carro elétrico pode custar até 60% menos em manutenção ao longo dos primeiros cinco anos de uso.
Ou seja, o que você paga a mais no financiamento pode ser parcialmente compensado pela economia na oficina.
3. Economia de energia vs. combustível
Outro fator importante é o gasto diário para rodar.
Enquanto o litro da gasolina ultrapassa R$ 6,00, um carro elétrico pode rodar o mesmo trajeto gastando menos de R$ 2,00 em energia, dependendo da tarifa local.
Em média, o custo por quilômetro rodado é até 70% menor do que o de um carro a combustão.
Assim, se você dirige bastante, especialmente em cidade, a economia mensal na “reabastecida” pode ser significativa.
Além disso, se você instalar um carregador doméstico (wallbox) e usar energia de fonte solar, o custo por recarga cai ainda mais.
4. Custo de bateria e garantias
É verdade que a bateria é o componente mais caro de um carro elétrico, podendo representar até 40% do valor do veículo.
Mas, ao contrário do que muitos pensam, ela não precisa ser trocada com frequência.
As principais montadoras oferecem garantia de 8 a 10 anos para o pacote de bateria, e a durabilidade média ultrapassa 300 mil quilômetros.
Isso significa que, mesmo ao financiar, o risco de ter que investir novamente em uma bateria durante o período do financiamento é muito baixo.
5. Incentivos e juros específicos para elétricos
Outra vantagem é que alguns bancos e montadoras oferecem financiamentos especiais para carros elétricos.
Essas condições podem incluir:
- Taxas de juros menores;
- Prazo mais longo de pagamento;
- Parcelas reduzidas nos primeiros meses;
- Planos com recarga gratuita em pontos públicos parceiros.
Instituições como Banco do Brasil, Santander e BV já oferecem linhas de crédito específicas para veículos sustentáveis, com condições diferenciadas.
Isso torna o financiamento ainda mais atrativo para quem busca economizar a longo prazo.
6. Depreciação e valor de revenda
No passado, a depreciação dos carros elétricos era alta, mas isso está mudando rapidamente.
Com o aumento da demanda e a melhoria da infraestrutura de recarga, o valor de revenda desses veículos vem se estabilizando.
Modelos populares, como o Renault Kwid E-Tech e o BYD Dolphin, mantêm hoje valores de revenda próximos a 80% do preço original após dois anos de uso.
Ou seja, o investimento tende a se valorizar mais com o tempo do que se imagina.
7. O financiamento pode compensar a longo prazo
Para entender se o financiamento realmente compensa, é preciso pensar além da parcela mensal.
Considere um exemplo simplificado:
- Carro a combustão: R$ 100 mil, manutenção + combustível em 5 anos = R$ 50 mil;
- Carro elétrico: R$ 160 mil, manutenção + energia em 5 anos = R$ 15 mil.
Mesmo com o preço inicial maior, a diferença de custo ao longo do tempo se aproxima.
Se o carro for mantido por mais de 5 anos, o elétrico tende a se tornar mais vantajoso, principalmente com o aumento dos preços dos combustíveis fósseis.
8. Quando o financiamento não vale a pena
Por outro lado, o financiamento pode não ser o ideal se:
- Você pretende trocar de carro em menos de 3 anos;
- Não tem acesso fácil a pontos de recarga;
- A tarifa de energia da sua região é muito alta;
- O valor da parcela compromete demais o orçamento mensal.
Nesses casos, pode ser melhor aguardar mais alguns anos, até que os preços caiam e o mercado esteja ainda mais consolidado.
9. Conclusão: vale a pena, mas depende do perfil
No fim das contas, financiar um carro elétrico pode valer a pena, sim — especialmente se você pensa no longo prazo.
Os custos de manutenção e abastecimento são significativamente menores, e as novas condições de financiamento tornam o investimento mais acessível.
Entretanto, é essencial avaliar seu perfil de uso, sua renda e o tempo que pretende ficar com o carro.
Para quem roda muito e busca economia e sustentabilidade, o financiamento de um elétrico é um ótimo negócio.
Mas, para quem usa pouco o carro ou planeja trocá-lo rapidamente, o benefício financeiro pode demorar a aparecer.
Fontes de pesquisa:
- InsideEVs Brasil
- UOL Carros
- Revista Quatro Rodas
- Agência Internacional de Energia (IEA)
- Banco do Brasil e Santander (linhas de crédito sustentáveis)

